Desplacamento cerâmico
Retração da argamassa de reboco: causas e Soluções
A retração da argamassa de reboco é um problema comum que pode ocorrer em construções de alvenaria. Esse fenômeno ocorre quando a argamassa utilizada no reboco se contrai e se separa da superfície da parede, deixando espaços vazios que podem comprometer a estabilidade do revestimento. A retração pode ser causada por diversos fatores, como a qualidade da argamassa, a umidade do ambiente e a técnica de aplicação.
A retração da argamassa pode ser um problema grave em construções, especialmente em edifícios altos ou em regiões com condições climáticas adversas. A falta de aderência entre a argamassa e a superfície da parede pode levar à formação de fissuras e rachaduras, que podem afetar a estabilidade da argamassa e comprometer sua durabilidade. Além disso, a retração pode causar problemas estéticos, como o descolamento da pintura e a formação de manchas na superfície da parede.
É importante que os profissionais responsáveis pela aplicação da argamassa de reboco estejam cientes dos fatores que podem causar a retração e adotem medidas preventivas para evitar o problema. Isso inclui o uso de argamassas de qualidade, a escolha da técnica de aplicação mais adequada e a realização de testes de aderência antes da aplicação da argamassa. Com essas medidas, é possível garantir a estabilidade e a durabilidade das construções, evitando problemas futuros.
Composição da Argamassa de Reboco
Materiais Constituintes
A argamassa de reboco é composta por três materiais principais: cimento, areia e água. O cimento é o material aglomerante responsável por unir os grãos de areia e formar uma massa coesa. A areia, por sua vez, é o material de enchimento que confere volume à argamassa. A água é utilizada para hidratar o cimento e permitir que ele endureça.
Proporções e Dosagem
As proporções e dosagem dos materiais constituintes da argamassa de reboco variam de acordo com a finalidade e as condições de aplicação. Em geral, a proporção de cimento, cal e areia é de 1:2:8 em volume. Isso significa que para cada parte de cimento, são adicionadas dois de cal hidratada e 8 em areia fina peneirada. A quantidade de água necessária para a mistura varia de acordo com a umidade da areia e com a temperatura ambiente.
É importante ressaltar que a dosagem correta dos materiais é fundamental para garantir a qualidade da argamassa de reboco. O excesso de água, por exemplo, pode comprometer a resistência e a durabilidade da argamassa, além de aumentar a retração. Por outro lado, a falta de água pode dificultar a mistura e a aplicação da argamassa.
Em resumo, a composição da argamassa de reboco é simples, mas requer cuidado na escolha dos materiais e na dosagem correta. Com essas medidas, é possível obter uma argamassa de qualidade e garantir um acabamento resistente e durável em paredes e outras superfícies.
Para garantir a proporção adequada, opte pela compra de argamassa pronta. Essas misturas já vêm na proporção correta e precisam apenas da adição de água, conforme indicado pelo fabricante na embalagem. Um exemplo é a marca Matrix 5201 da Votorantim Cimentos.
Fatores que Influenciam a Retração
A retração da argamassa de reboco é um fenômeno natural que ocorre durante o processo de secagem, mas pode ser influenciada por diversos fatores. Nesta seção, serão abordados alguns dos principais fatores que influenciam a retração da argamassa de reboco.
Umidade e Temperatura
A umidade e a temperatura são dois fatores que podem influenciar significativamente a retração da argamassa de reboco. Quando a temperatura é elevada e a umidade do ar é baixa, a água presente na argamassa evapora mais rapidamente, o que pode levar a uma retração maior. Por outro lado, quando a temperatura é baixa e a umidade do ar é alta, a evaporação da água é mais lenta, o que pode reduzir a retração.
Tipo de Agregado
O tipo de agregado utilizado na argamassa de reboco também pode influenciar a retração. Agregados mais porosos, como a areia, podem absorver mais água, o que pode levar a uma retração maior. Já agregados mais densos, como a pedra britada, podem absorver menos água e, portanto, podem resultar em uma retração menor.
Aditivos e Adições
Os aditivos e adições adicionados à argamassa de reboco também podem influenciar a retração. Aditivos que retardam a secagem da argamassa podem reduzir a retração, enquanto aditivos que aceleram a secagem podem aumentá-la. Adições como o cimento Portland podem aumentar a retração, enquanto adições como a cal hidratada podem reduzi-la.
Em resumo, a retração da argamassa de reboco é um fenômeno natural que pode ser influenciado por diversos fatores, como umidade, temperatura, tipo de agregado e aditivos e adições. É importante considerar esses fatores ao selecionar os materiais e o processo de aplicação da argamassa de reboco para minimizar a retração e garantir um acabamento de qualidade.
Métodos de Prevenção e Controle
Cura Adequada
Para evitar a retração da argamassa de reboco, é fundamental que se faça uma cura adequada. A cura consiste em manter a umidade da argamassa por um período de tempo suficiente para que ela possa se hidratar e se estabilizar.
Uma das técnicas mais comuns para a cura da argamassa é a utilização de água, que pode ser aplicada por meio de pulverização ou imersão. É importante que a água seja aplicada de forma uniforme e em quantidades suficientes para manter a umidade da argamassa.
Outra técnica que pode ser utilizada é a cura química, que consiste na aplicação de produtos químicos que aumentam a hidratação da argamassa. Essa técnica é mais indicada para obras em que a disponibilidade de água é limitada.
Técnicas de Aplicação
Além da cura adequada, a escolha das técnicas de aplicação também pode influenciar na prevenção da retração da argamassa de reboco.
Uma técnica que pode ser utilizada é a aplicação em camadas finas, que permite uma melhor aderência da argamassa à superfície e reduz a possibilidade de retração. Outra técnica é a utilização de aditivos, que podem melhorar a trabalhabilidade da argamassa e reduzir a sua retração.
Também é importante que se faça o uso de ferramentas adequadas para a aplicação da argamassa, como desempenadeiras e espátulas. Essas ferramentas permitem uma aplicação mais uniforme e uma melhor aderência da argamassa à superfície.
Por fim, é fundamental que se siga as recomendações do fabricante em relação à dosagem e ao tempo de mistura da argamassa, bem como em relação às condições de aplicação e cura. Dessa forma, é possível garantir uma aplicação adequada e reduzir os riscos de retração da argamassa de reboco.
Consequências da Retração Indevida
A retração da argamassa de reboco pode causar diversas consequências, como fissuras, fendas, descolamento e desplacamento. Esses problemas podem prejudicar a estética e a segurança da construção.
Fissuras
A retração indevida da argamassa de reboco pode provocar fissuras e fendas na parede. Esses problemas podem comprometer a estabilidade do revestimento, além de prejudicar a estética do acabamento.
Para evitar esses problemas, é importante utilizar materiais de qualidade e seguir as recomendações dos fabricantes. Além disso, é fundamental garantir que a argamassa esteja bem distribuída e nivelada na parede.
A configuração típica de um revestimento com fissuras por retração das argamassas de revestimentos é demostrada na figura 1. Segundo JOISEL (1981), as fissuras apresentam distribuição uniforme, com linhas em mapa que se cruzam formando ângulos próximos a 90º
Figura 1
Descolamento
e Desplacamento
Outra consequência da retração indevida da
argamassa de reboco é o descolamento e desplacamento do revestimento. Esse
problema pode comprometer a segurança da construção, além de prejudicar a
estética do acabamento.
Para evitar esses problemas, é importante
garantir que a argamassa esteja bem aderida à parede e que não haja espaços
vazios entre o revestimento e a superfície da parede. Além disso, é fundamental
utilizar materiais de qualidade e seguir as recomendações dos fabricantes.
Normas e
Padrões Técnicos
Para garantir a qualidade da argamassa de
reboco e evitar a retração, existem normas e padrões técnicos que devem ser
seguidos. Essas normas estabelecem as especificações e requisitos mínimos para
a produção, aplicação e controle de qualidade da argamassa.
Uma das normas mais importantes é a NBR
13281:2005 – Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
Requisitos. Essa norma estabelece os requisitos para a argamassa de
revestimento, incluindo a composição, a resistência, a aderência e a retração.
Além disso, a NBR 13749:1996 – Argamassa para
assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Determinação da
retração por secagem, é uma norma que estabelece o método de ensaio para
determinação da retração por secagem da argamassa.
É importante ressaltar que o uso de materiais
de qualidade e a aplicação correta da argamassa são fundamentais para evitar a
retração. O controle de qualidade da argamassa também é essencial para garantir
que ela esteja de acordo com as normas e padrões técnicos estabelecidos.
Portanto, é necessário que os profissionais
envolvidos na produção e aplicação da argamassa estejam familiarizados com as
normas e padrões técnicos aplicáveis, a fim de garantir a qualidade e a
durabilidade das construções.
Como tratar
fissuras de retração ou tipo mapa
A recuperação de fissuras geométricas ou
mapeadas, ativas, sazonais, não passantes, desde que os movimentos não sejam
muito pronunciados, poderá ser com sistema de pintura à base de tintas
impermeabilizantes ou tinta elástica à base de resinas 100% acrílicas não
estirenadas, estruturadas com telas de poliéster, chamadas de membranas
acrílicas.
As membranas elastoméricas (NBR 13321, ABNT,
1995) são sistemas de pintura divididas em membranas asfálticas (os asfaltos
elastoméricos diluídos em solvente) ou acrílicas (emulsões aquosas de polímero
acrílico puro). Para a recuperação de revestimentos fissurados, utilizam-se as
membranas acrílicas, que são pinturas com tinta 100% acrílica não estirenada,
estruturadas com tela de poliéster normal, trama 1×1 mm.
As membranas acrílicas são utilizadas para, no
caso, dissimular as fissuras, não impedindo seu movimento, porém, por serem
elásticas e estruturadas, impedem com que voltem a “marcar” o revestimento.
A NBR 13321/95, relata membrana acrílica como
a composição de resina acrílica termoplástica estruturada com véu de poliéster,
100% elastômeros, polímeros, monômeros e plastificantes, cuja resistência à
tração tanto no sentido longitudinal quanto transversal deve ser superior a 200
N em 05 cm e o alongamento de ruptura superior a 35%. Não deve haver penetração
de água sob pressão em teste de coluna de água de até 70 m.c.a.
Este sistema de recuperação deve ser utilizado
apenas se a aderência do revestimento à base estiver conforme a NBR 13749, e o
resultado deve seguir as determinações da NR 13528. Consulte sempre um
engenheiro para evitar gastos desnecessários com materiais e mão de obra. A
Vivus Engenharia pode fornecer essa consultoria ou desenvolver o projeto de
recuperação.